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quarta-feira, 27 de agosto de 2014

How ard you

Hi, how are you
é uma forma de perguntar sobre alguém
se está tudo bem
e este alguém é com quem
você conversa.
Mas se how for escrito com H maiúsculo
feito homens por aí
que circulam punhos e torcidas
como se fossem punhais e posições
que não as narradas pelo tópico do abuso
H maiúsculo pode ser uma forma
de chamar Howard de forma abreviada,
sem fazer uso de Howie,
o que será mais uma forma de gerar confusão
seguida pela conjugação verbal
que erra a pessoa
e repete o abuso
sem saber se pelo menos
você está ok com isso.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Volksgeist como método e ética

Estou lendo artigos de Matti Bunzl sobre a tradição humboldtiana e sua convergência para a etnologia alemã e, após, sua absorção pelo Nimuendaju que foi para New York, também conhecido como Franz Boas. Estou surpreso com o tamanho do empreendimento dos alemães do XIX, do papel que teve a etnologia após a fundação da Universidade de Berlim, como formaram um quadro significativo de etnógrafos e geógrafos (dividiam a formação e uma série de outras coisas) antes de existir uma cadeira de antropologia em qualquer outro país considerado central para a história da disciplina, e como os caras saíram de cena logo após um período de fertilidade ímpar. O peculiar é que, ao invés da marca franco-britânica de fazer pesquisa da forma cômoda ao viajarem para as colônias e fumar cachimbo da paz, os alemães fizeram trabalhos em lugares cuja influência colonial alemã era zero, como Roraima, Xingu, Alto Rio Negro, Chaco Paraguayo e País Basco, por exemplo.
Vai entender; ou, aí tem história. Com ênfase.






(STOCKING JR., George (ed); Volksgeist as method and ethic: essays on boasian ethnography ans the German Anthropological Tradition. 1996 - o artigo de Matti Bunzl disserta sobre a tradição fundada pelos irmãos Humboldt e é precedido pelo artigo de Boas em defesa da geografia como atividade cosmográfica.)

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Die deutsche ethnographie Amazonienforschung

Creio que é de conhecimento comum que a pesquisa etnográfica, especialmente aquela dedicada a ir ao mato ver índios e, por vezes, tomar flechadas, narra um capítulo bonito da aventura antropológica no país. Histórias de ombridade, coragem e dedicação. Nisso, ouvimos o nome de Curt Unkell, que terminou a vida meio yanomami, vindo a asusmir o sobrenome Nimuendaju. Entendido isso, e lembrando que o país sofreu a visita de naturalistas que fizeram as vezes de etnógrafos - como Spix e Martius -, pulamos um capítulo desta história. Ocorre que entre os naturalistas alunos ou confrades de Alexander von Humboldt e pessoas como Egon Schaden e Herbert Baldus, houve uma geração de ETNÓGRAFOS, que já assumiam esta alcunha-ofício, e singraram pelo Brasil central, e além produzindo uma fortuna teórica somente trazida à luz de vez em quando, e quase por acidente. Assim, segue uma lista de nomes, quase todos desconhecidos:




























Otto Zerris, Hans Becher, Günther Hartmann, Mark Münzel, Franz Caspar, Georg Grünberg, Dieter Heinen, Emil Heinrich Snethlage, Adolf Bastian (esse não; esse era professor de psicologia experimental - mas passamos um século ignorando seu papel), Karl von den Steinen (xingu-ólogo), Paul Ehrenreich, Theodor Koch-Grünberg, os irmãos Schomburg, Max Schmidt (que, duas décadas antes de Malinowski já defendia a etnografia de caráter malinowskiano), Fritz Krause, Hermann Meyer e Felix Speiser.




























São muitas as justificativas sobre a inexistência de traduções ou simplesmente a menção destas figuras como partícipes de uma história que, até então era narrada de forma quase que sem graça. A barreira da língua alemã é, quase sempre a motivadora maior da inexistência de remissões a uma geração que não somente inaugurou a pesquisa etnológica sistemática em solo brasileiro, como contribuiu de forma decisiva, ainda que ignorada para a consolidação de noções e fórmulas importantes para a pesquisa em antropologia social. Max Schmidt, por exemplo, elaborou o conceito de aculturação sociológica que, ainda que um completo desconhecido, permite que ponhamos a noção de aculturação de Herskovits no túmulo do pessimismo eurocêntrico ou, no mínimo, entre parênteses. Von den Steinen e Koch Grünberg são mais conhecidos, tendo seu tratado sobre o Xingu e seus diários de campo, respectivamente publicados em português, assumindo ao menos algum lugar no anedotário da disciplina no país. Mas, parece-me que estamos longe de conseguirmos ter uma idéia minimamente interessante do tamanho da aventura que foi, e é praticar etnologia no Brasil extenso.




























Boa parte desta história está no livro publicado há pouco, creio que em 2006, pela editora alemã chamada Curupira, de Marburg - o livro é Bildungsbürger im urwald - die deutsche ethnographie Amazonienforschung (1884-1929), de Michael Kraus. Resta então aprender alemão ou fazer uma reza braba para ver este livro traduzido por aqui. As informações que passo foram fornecidas por Peter Schröder e Edwin Reesink, professores da Universidade Federal de Pernambuco, a quem agradeço pela tarde agradável de conversê sobre a parte suicidada da atividade etnográfica de cujos cadáveres temos cuidado tão mal.




























































(mesmo que eu tivesse inventado todas as informações desta postagem, ainda assim valeria a pena.)