segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Mundão véio sem porteira

Família pula do terceiro andar para fugir do 'diabo'


Uma família de origem africana que estava assistindo a TV pulou pela janela de um apartamento no terceiro andar de prédio da cidade de La Verriere (França) com medo do "diabo". Na inusitada fuga, um bebê morreu.

Horas depois, a polícia esclareceu parcialmente o caso: o incidente começou quando um grupo de 13 pessoas estava assistindo a TV na sala. Um homem que estava nu no apartamento ouviu um bebê chorando e foi preparar a mamadeira. A esposa, ao ver o marido pelado, começou a gritar: "É o diabo, é o diabo!".

Em socorro aos gritos, a cunhada do "diabo" o esfaqueou em uma das mãos. Ele saiu pela porta da frente, e, quando retornou, os demais moradores, desesperados com a presença do "maligno" na residência, então decidiram sair pela janela.

O "diabo" pulou também, carregando uma criança de dois anos no colo. Ao chegar ao chão, ele correu e se escondeu atrás de um arbusto. A criança, o "capeta" e outros familiares ficaram feridos. O bebê chegou a ser levado a um hospital, mas não resistiu à queda.

Investigadores não encontraram qualquer sinal de alucinógenos ou ritual macabro no apartamento, segundo reportagem da BFM TV. A polícia ainda espera esclarecer muitos detalhes da história.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

PTao

Algumas coisas, certas pessoas, vários lugares resolveram se ajeitar - e com jeito, do jeito que dá. A Alemanha está, ao que parece, querendo voltar a ser Alemanha. E só Alemanha, diz Merkel segundo noticiário:(http://news.yahoo.com/s/afp/20101017/wl_afp/germanymuslimreligionimmigration).

Vi um slogan de presidenciável clamando enunciados em nome da verdade que, em pouco há de ser redigida com "V" maiúsculo e, sem mais, com "D". E se há letras em demasia, aprende-se com LGBT que passou da hora de sair do armário, numa era em que Homer Simpson é ícone pop do Vaticano. Por isso, porque está tudo mais claro, e as peças estão se arranjando, este modesto sítio opera agora como célula do PTao, que aceita inscrições com a clausula pétrea de que eu não quero saber quem é filiado. Afinal, é melhor não saber e, no caso, não fazer - a arte de fazer quando já feito, tao como manda a regra dos nove.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Paisagem de fronteira, isso sim

Como assim. Como assim?
E reduz-se assim o traço - rasgo, trait,
- logo acima do ponto final
e tudo muda. Exatamente assim.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

votar na era da técnica

Estou assistindo ao espetáculo do fingidor que é tal como poeta, finge a dor que deveras sente. Não imagino outra forma de oferecer contorno à triste figura das conversas que sou obrigado a assistir, e tampouco no espetáculo lamentável em que a vida nas praças toma a forma. Já houve o tempo em que defender os seus significava exatamente isto, em idos tempos coronéis, e tal. Fico imaginando qual a sorte de coronelato e compadrio empresta afinação para o atual coro acusador que toma forma a cada período eleitoral, só não menos irritante que os acusadores inconformados nos quais se tornam, os eleitores de um candidato vencedor. Até consinto na idéia de que alguém tem que governar, mas é inimaginável que pelas mesmas razões eu tenha que fingir que gosto disso. Até porque, se mestre na arte de fingir acabo por adoecer, viver a dor de não saber aquilo que deveras sabia. Enfim, o que preciso escrever é que quando são muitos os feiticeiros, a feitiçaria é arte fácil. Entenda como quiser.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Falha de São Paulo eliminada? Eliminado?

Daí que eu recuperei o texto de fechamento de forma a evidenciar o evento antes que nem mesmo se possa marcá-lo. Até porque, com as eleições, há muita gente que acha que sabe como o país funciona, qual é a marca de seu poder constituinte. Na verdade, meu medo é maior, mais abrangente, e não assina por nome de Dilma, Serra ou qualquer outro. Pior, meu medo ensinou a lermos o nomes dos candidatos citados. Por isso retomo o texto. Não por concordar, não por conhecer, mas por perceber que o grave do espaço público é que é plenamente possível, em plena era do voyeurismo, fazer quase tudo por debaixo dos panos. A melhor forma de esconder é deixar à vista.











Os responsáveis por este texto não foram notificados quanto ao teor desta publicação e não têm qualquer responsabilidade, e o que faço, faço sem qualquer consentimento.


Há duas semanas resolvemos fazer um site de humor destinado à crítica da cobertura jornalística, o Falha de S.Paulo (www.falhadespaulo.com.br), uma sátira ao jornal “Folha de S.Paulo”. É um site com críticas? Sim, claro. Tão duras quanto as feitas pelo CQC, Casseta & Planeta ou José Simão, por exemplo. Hoje recebemos uma decisão liminar (antecipação de tutela, concedida pela 29ª Vara Cível de SP) que nos obriga a tirar o site do ar, sob pena de multa diária de R$ 1.000. A desculpa utilizada pelo jornal para mover a ação foi o "uso indevido da marca" (tucanaram a censura).
É chocante a hipocrisia da Folha. Se isso não é censura e um atentado inaceitável à liberdade de expressão, juro que não sabemos o que é. Chega a ser cômico: o mesmo jornal que faz dezenas de editoriais acusando o governo de censura e bradando indignado por “liberdade de expressão” comete esse ato violento de censura. Ato este, aliás, bastante covarde: o maior jornal do país movimentou um enorme escritório de advocacia e o Poder Judiciário contra um pequeno site independente. É muita falta de humor, de esportividade, de respeito à democracia.
Senhores proprietários e advogados da Folha, podem ficar tranquilos. Todos ainda poderão ser satirizados, menos vocês. Todos merecem liberdade de imprensa, menos quem não é da sua turma. E, como ao contrário de vocês, respeitamos as instituições e a democracia, vamos cumprir a ordem judicial.
Parabéns, Folha! A censura imposta por vocês será cumprida.



Lino Ito Bocchini e Mario Ito Bocchini



Se a acusação procede, e se houve uso indevido de marca, é porque embora haja desvio denotativo da marca entre os dois veículos, ocorre coincidência conotativa.



Melhor sorte aos Bocchini da próxima vez.

Temas Contemporâneos da Antropologia Social I – pergunte ao Melanésio

Muito se debate sobre as possibilidades de haver categorias ou conceitos que operem como transculturais ou, segundo o jargão britânico, cross-cultural categories [1]. Por exemplo, se cultura é uma categoria aplicável entre-culturas, isto é, se faz sentido ir a uma outra cultura e falar sobre ela como se de fato a mesma fosse outra cultura. Mas é óbvio que sim. Mais ou menos. Até porque, mesmo que tenham, não implica que signifique a mesma coisa[2]. Tudo por causa da merda das weltanschauungen que fazem da variação dos valores como alternação de pontos de vista sobre o mundo equalizando a diversidade da doxa como possibilidades de léxico sobre o mundo em comum, o mundo natural. Não é preciso dizer que o epicentro articulador das variações é a formulação de base sobre o mundo natural, base esta que acerta o relógio segundo o meridiano de Greenwich.

Assim, há uma série de termos canônicos utilizados para formular comparações entre formas institucionais, as mesmas que ora e vez permitem que se diga “lá, uma cultura; ali, aquela sociedade”. Nesta de apontar o dedo e tecer considerações de teor comparativo, o problema: há palavras-chave que sirvam de régua e, mais, rua de mão-dupla? Dá pra ir e voltar quando o tema das perguntas é “sociedade”, “estética”, “cultura”? Tem uma forma muito didática de encenar este problema. Pergunte ao melanésio.






No Brasil, em especial o das redes de relacionamento on-line como Orkut , roda a seguinte expressão: nunca fiz amigos bebendo leite[3]. E aí, melanésio? Qu'est-ce que tu me dit?





[1]

O livro organizado por Tim Ingold, Key Debates in Social Anthropology, é um exemplo importante disso pois, além de todo o mais, é exemplo de jogos de salão d academia britânica. Matriushka, coisas do gênero.
[2]

É aí que entra no jogo as aspas de Manuela Carneiro da Cunha; Cultura com aspas, recém publicado (lembrando que ao escrever este texto me situo em 2010).
[3]

http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=1518354

EPÍGRAFE

"Nesta tese espero ter correspondido a um diálogo reproduzido num clichet do conto de Borges em que disse para eu mesmo, mais jovem:

CUT THE CRAP."